Manter consultas e exames em dia ainda é um desafio para grande parte dos brasileiros. Embora a prevenção seja recomendada por especialistas, a rotina de cuidados com a saúde acaba ficando em segundo plano diante dos tantos obstáculos que atravessam o dia a dia da população.
Para entender melhor esse comportamento, nosso novo estudo investigou com que frequência os brasileiros procuram atendimento médico e, principalmente, quais fatores contribuem para esse afastamento. O objetivo foi mapear não apenas a regularidade das consultas, mas também as barreiras (práticas e comportamentais) que dificultam esse cuidado contínuo.
Os resultados, aliás, mostram que o problema vai além de uma única causa. Questões como custos, burocracias no atendimento, dificuldades de acesso e até experiências negativas durante as consultas aparecem como elementos que, somados, impactam diretamente a decisão de buscar ajuda médica ao longo do ano. Confira!
Afinal, com que frequência os brasileiros vão ao médico?
Ir ao médico com regularidade ainda é uma das principais recomendações quando o assunto é o cuidado com a saúde. Na prática, porém, descobrimos que essa rotina está longe de fazer parte do dia a dia de todos os brasileiros — já que, para uma parte da população, as consultas acabam ficando em segundo plano diante de outras demandas.
Quando questionados sobre a regularidade com que procuram profissionais de saúde, 55,4% dos entrevistados no nosso estudo afirmaram que, no último ano, foram ao médico com frequência.
Ainda assim, 4 em cada 10 relataram ter buscado menos atendimento que o ideal, devido a obstáculos rotineiros diversos.
Entre os fatores que ajudam a explicar esse comportamento, o trabalho apareceu como o principal entrave.
Para metade dos respondentes, a rotina profissional, marcada por horários inflexíveis, excesso de demandas e dificuldade de liberação, foi o maior impeditivo para a realização de consultas e exames ao longo dos últimos 12 meses.

Onde os médicos brasileiros ainda erram durante o atendimento?
Embora boa parte dos impedimentos para ir ao médico esteja relacionada a fatores externos à consulta, a experiência dentro do consultório tem um papel relevante nessa decisão. Segundo os pacientes, alguns comportamentos recorrentes no atendimento acabam contribuindo para o afastamento ao longo do tempo.
Entre os principais pontos, a falta de empatia e escuta ativa lideram, mencionadas por 5 em cada 10 entrevistados.
Na sequência, aparecem a pressa durante a consulta (42,8%) e os atrasos excessivos (37,4%), ao lado de fatores como orientações pouco claras (36,4%) e a sensação de que os sintomas foram minimizados pelos profissionais (30%).

Diante desse cenário, muitos pacientes revelaram ter acabado buscando alternativas fora do consultório nos últimos doze meses.
De acordo com o levantamento, 53,2% relataram que recorreram à internet para tirar dúvidas de saúde durante o período, enquanto 45,8% usaram ferramentas de IA para mais informações sobre o próprio corpo e organismo.
Durante o FUTR Health, evento realizado no último mês pelo Olá Doutor, o médico Jairo Bauer chamou atenção para a importância não só da parte técnica, mas da qualidade da escuta no atendimento.
“A consulta médica, independentemente de acontecer no digital ou no presencial, é um momento em que o paciente precisa ser ouvido com atenção. É ali que o profissional deve ir além dos dados e indicadores, buscando compreender de forma mais ampla aquilo que o paciente está trazendo”, destacou.
Metodologia
Para analisar a frequência com que os brasileiros vão ao médico, nas últimas semanas, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade foi de 95%, e a margem de erro foi de 3,3 pontos percentuais.
Ao todo, os respondentes tiveram acesso a 8 questões, que abordaram a regularidade com que foram atendidos e realizaram exames no último ano, os principais obstáculos ao procurar um profissional de saúde e o impacto de certas posturas médicas na qualidade do atendimento. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos quais você confere cada alternativa apontada pelos entrevistados.