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Qual médico cuida do sono, do ronco e da apneia: exames e tratamento 

Para investigar casos de ronco, ou uma suspeita de apneia do sono, um otorrinolaringologista pode te ajudar. Dependendo do que estiver causando o problema, outros profissionais entram em cena, como pneumologistas, neurologistas ou médicos e dentistas com atuação em medicina do sono.

Antes de começarmos a aprofundar nesse tema, um spoiler: roncar de vez em quando não quer dizer automaticamente que existe uma doença. O problema existe, na verdade, quando esse ronco se torna frequente, é muito alto ou vem acompanhado de pausas na respiração, engasgos durante a noite e um cansaço que continua mesmo depois de várias horas na cama.

E, claro: quem dorme nem sempre percebe que isso está acontecendo. Muitas vezes é a pessoa ao lado que nota primeiro.

Por isso, vem entender com o Olá Doutor:

  • Qual médico procurar para ronco e apneia do sono;
  • Qual é a diferença entre ronco e apneia do sono;
  • Quais são os sintomas e fatores de risco da apneia;
  • Quem tem adenoide tem apneia do sono;
  • Qual o nome do exame que detecta apneia do sono;
  • Quais são os tratamentos para ronco e apneia do sono;
  • Quais são os riscos da apneia do sono sem tratamento.

Se você vive ouvindo que “ronca e acorda a casa inteira”, ou acorda cansado sem entender por quê, talvez algumas respostas estejam aqui. Vamos lá?

Qual médico procurar para ronco e apneia do sono? 

Quadros de ronco e apneia do sono são avaliados por diferentes médicos, dependendo de cada caso, já que diferentes partes do corpo participam do sono e da respiração. Entre os profissionais que entram nesse cuidado, conforme cada caso, estão:

  • Otorrinolaringologista;
  • Pneumologista;
  • Neurologista;
  • Médico com atuação em medicina do sono;
  • Dentista com atuação em sono.

O caminho depende bastante dos sintomas e da possível causa. Vamos entender onde cada um entra.

Otorrinolaringologista

O otorrinolaringologista é quem investiga se alguma alteração no nariz ou na garganta está dificultando a passagem do ar durante o sono. Desvio de septo, amígdalas aumentadas, adenoide, obstrução nasal e outras alterações das vias aéreas superiores são situações que costumam entrar nessa investigação.

Para entender a lógica aqui, pense no caminho que o ar faz: ele entra pelo nariz, passa pela garganta e segue em direção aos pulmões. Logo, se alguma região desse trajeto estiver muito estreita ou obstruída, a respiração acaba ficando mais difícil quando o corpo relaxa durante a noite.

É por isso que um otorrino é particularmente útil quando o ronco aparece junto de outros sinais, como nariz constantemente entupido, respiração pela boca, dificuldade para respirar pelo nariz ou sensação de obstrução na garganta.

Dica: nem sempre a primeira consulta com um otorrino precisa ser presencial, já que, nessa avaliação inicial, o profissional vai conversar sobre seus sintomas e entender seu histórico de saúde. A modalidade online também é interessante caso você tenha algum exame para mostrar.

Agora, se for necessário examinar o interior do nariz, a garganta ou outras estruturas das vias respiratórias, o próprio otorrino orienta a realização de uma consulta presencial.

Pneumologista

Quando existem pausas respiratórias, engasgos ou sonolência excessiva durante o dia, o pneumologista entra na investigação para analisar como a respiração está funcionando durante o sono. A esse profissional também cabe avaliar quadros de apneia.

Esse médico também é importante se você já tiver alguma doença respiratória diagnosticada, ou quando não existe uma causa evidente no nariz ou na garganta para explicar os sintomas.

A título de informação, antes de prosseguirmos, saiba que a obstrução que causa a apneia começa, na verdade, na garganta, e consequentemente afeta diretamente a entrada de ar e a oxigenação do organismo.

Neurologista

Muita gente não relaciona esse profissional a problemas com ronco e no sono, mas os neurologistas são fundamentais em investigações de casos nos quais existe a possibilidade de o cérebro ou o sistema nervoso estarem envolvidos nas alterações da respiração enquanto você dorme.

A forma mais comum da doença é a apneia obstrutiva, em que a passagem do ar fica bloqueada ou estreita enquanto a pessoa dorme.

Existe também a apneia central, bem menos comum, em que o problema não é uma obstrução física: o que acontece é que o cérebro deixa de enviar adequadamente o comando para os músculos responsáveis pela respiração em determinados momentos.

Além disso, neurologistas também acompanham outros problemas do sono que causam cansaço, sonolência e despertares frequentes. 

Médico com atuação em medicina do sono

Nem todo mundo que dorme mal tem apneia. Para esses casos, vale consultar um médico com atuação em medicina do sono, que olha para o sono como um todo e investiga não somente casos de apneia, mas outros problemas que atrapalham o descanso também.

Aqui, estamos falando principalmente de insônia, alterações no horário do sono, movimentos excessivos durante a noite e outros distúrbios que acabam causando cansaço durante o dia, dificuldade de concentração e a sensação de que oito horas de cama não serviram para muita coisa.

Nesse acompanhamento, o médico vai avaliar os sintomas, decidir se um exame do sono é necessário e interpretar os resultados para entender o que realmente acontece enquanto você dorme.

Dentista com atuação em sono

O dentista com formação voltada ao sono participa do cuidado principalmente quando a posição da mandíbula, da língua e outras características da boca influenciam a passagem do ar.

Algumas pessoas com ronco ou determinados casos de apneia recebem a indicação de uso de um aparelho intraoral durante a noite, que fica dentro da boca e ajuda a posicionar a mandíbula e a língua de uma forma que favoreça a abertura das vias respiratórias.

Mas não é aquele protetor genérico comprado na internet, viu? O aparelho precisa ser indicado para o caso certo, planejado especificamente para a boca daquela pessoa e acompanhado por um dentista preparado para esse tipo de cuidado.

Qual é a diferença entre ronco e apneia do sono?

O ronco acontece quando o ar passa por uma região mais estreita da garganta e faz essa estrutura vibrar. A apneia, por outro lado, é quando a passagem de ar diminui muito ou chega até a ser interrompida repetidamente enquanto você dorme. É por isso que tem quem ronque mesmo sem ter apneia.

No ronco simples, o ar continua passando, embora produza aquele som que todo mundo no quarto conhece muito bem. Na apneia obstrutiva, porém, a musculatura relaxa durante o sono e a via por onde o ar passa acaba se fechando parcial ou completamente por alguns instantes. Depois, o organismo reage para voltar a respirar.

Em alguns casos, esse mesmo ciclo acontece repetidamente durante o sono:

Respiração → obstrução → queda na entrada de ar → pequeno despertar → respiração volta → a pessoa dorme novamente.

Quem está ao lado acaba percebendo sinais como:

  • Ronco muito alto;
  • Silêncio repentino depois do ronco;
  • Alguns segundos sem perceber a pessoa respirar;
  • Engasgo ou puxada forte de ar logo depois;
  • Sono muito agitado;
  • Vários despertares durante a noite.

Durante o dia, embora a pessoa não se lembre dessa dificuldade e dessas interrupções do sono, provavelmente vai notar sinais como cansaço, sonolência, dificuldade de concentração, irritação ou dor de cabeça pela manhã.

Nada disso confirma, isoladamente, um caso de apneia, mas, quando vários desses sinais aparecem juntos, uma investigação é necessária.

Quais são os sintomas e fatores de risco da apneia?

Ronco frequente, pausas na respiração, engasgos durante o sono e sonolência durante o dia estão entre os sinais mais conhecidos da apneia. Algumas características do corpo e condições de saúde também aumentam a chance de ela acontecer.

Vamos olhar para os principais pontos:

  • Pausas na respiração: geralmente quem percebe é outra pessoa. O ronco para de repente, fica alguns segundos em silêncio e depois volta acompanhado de uma inspiração forte, ronco alto ou engasgo. Como quem tem apneia está dormindo durante os episódios, pode passar anos sem perceber essas pausas;
  • Sonolência durante o dia: a pessoa até dorme durante várias horas, mas o sono é interrompido repetidamente pelas alterações na respiração. O resultado é aquela vontade de dormir assistindo televisão, lendo, trabalhando ou até dirigindo. Dificuldade de atenção, piora na memória e sensação de acordar sem ter descansado são outros sinais;
  • Obesidade e alterações anatômicas: em algumas pessoas, o excesso de tecido ao redor do pescoço causa o estreitamento das vias respiratórias. Características da mandíbula, da língua, das amígdalas, da adenoide e do formato das vias aéreas também influenciam esse processo. Isso explica por que a apneia do sono também acontece em pessoas magras;
  • Hipertensão e doenças cardiovasculares: apneia e saúde cardiovascular estão bastante ligadas. As quedas repetidas na oxigenação e os despertares durante a noite fazem o organismo entrar várias vezes em estado de alerta, o que contribui para pressão alta e sobrecarga cardiovascular. A apneia também aparece com frequência maior entre pessoas com algumas doenças do coração.

Importante: todas essas informações acima servem para que você entenda melhor o funcionamento do seu corpo e saiba quando é necessário consultar um médico, e não para você se autodiagnosticar, ok? Ainda é necessário que um profissional ouça seus sintomas e avalie os fatores de risco para levantar possíveis causas e indicar os próximos passos do seu cuidado.

Quem tem adenoide tem apneia do sono? 

Não. Afinal, a adenoide é uma estrutura normal do corpo, então apenas o fato de tê-la não indica ou justifica um quadro de apneia do sono. Na verdade, o problema começa quando ela cresce demais e, consequentemente, começa a dificultar a passagem do ar (algo comum principalmente em crianças).

Quando isso acontece, a pessoa começa a respirar mais pela boca, roncar e dormir de maneira inquieta. Dependendo da obstrução, aí sim se configura um caso de apneia.

Apneia do sono em crianças 

Na infância, a apneia aparece de um jeito um pouco diferente do que vemos nos adultos. Embora ronco frequente e pausas na respiração sigam aparecendo, uma criança também pode:

  • Dormir de boca aberta;
  • Ter sono muito agitado;
  • Suar bastante enquanto dorme;
  • Assumir posições estranhas na cama para respirar melhor;
  • Fazer xixi na cama depois de uma fase em que já não fazia;
  • Acordar com dor de cabeça;
  • Apresentar dificuldade de atenção;
  • Ficar irritada;
  • Ter queda no rendimento escolar.

E olha uma diferença curiosa: em vez de parecer sonolenta durante o dia, algumas crianças ficam mais agitadas ou hiperativas.

Dica: se você conseguir gravar alguns segundos do sono quando o comportamento atípico acontece, o vídeo vai ajudar o médico a entender melhor o que você observou em casa. 

Qual o nome do exame que detecta apneia do sono? 

O principal exame usado para diagnosticar apneia do sono é a polissonografia, conhecida também como estudo do sono.

Ela acompanha o organismo enquanto você dorme e consegue mostrar se a respiração para ou diminui, quantas vezes isso acontece, como fica a oxigenação e o que ocorre com o sono durante esses episódios. Com essas informações, o médico consegue entender se existe apneia e avaliar sua intensidade.

Como funciona a polissonografia?

Na polissonografia, vários sensores acompanham seu corpo durante uma noite de sono. 

Esses mecanismos não servem apenas para “contar roncos”. Na verdade, eles também registram:

  • Atividade do cérebro durante o sono;
  • Movimentos dos olhos;
  • Movimentos das pernas;
  • Entrada e saída de ar;
  • Esforço feito para respirar;
  • Quantidade de oxigênio no sangue;
  • Batimentos do coração;
  • Posição do corpo.

É bastante informação porque o sono também é complexo, e uma interrupção na respiração é capaz de afetar várias partes do seu corpo ao mesmo tempo. Em alguns episódios, o nível de oxigênio no sangue cai, o coração acelera e o cérebro provoca pequenos despertares para que você volte a respirar normalmente.

Com o exame, para além de registrar se houve ou não uma pausa respiratória, os resultados mostram também o que aconteceu com o organismo naquele momento e quantas vezes o problema se repetiu durante a noite.

A polissonografia pode ser feita em casa?

Em alguns casos, sim. No entanto, esses exames domiciliares para investigar um caso de apneia devem ser recomendados pelo médico, já que a alternativa não é a melhor opção para todo mundo. Nessa versão da avaliação, a pessoa recebe um equipamento portátil, coloca os sensores conforme a orientação e dorme na própria cama. 

No entanto, esses aparelhos acompanham menos informações do que uma polissonografia completa feita em laboratório. Inclusive, é por esse motivo que, em geral, o exame domiciliar não é indicado para crianças.

O que acontece é que muitos não conseguem identificar os estágios do sono nem os pequenos despertares provocados pelas dificuldades respiratórias, por exemplo. E isso faz diferença, já que a apneia infantil costuma provocar alterações mais sutis na respiração, sem grandes quedas de oxigênio no sangue, que provavelmente vão passar passar despercebidas em um exame mais simples. 

Por isso, quando há suspeita de apneia em crianças, a polissonografia completa, realizada em laboratório, costuma ser o exame indicado.

Quais são os tratamentos para ronco e apneia do sono? 

O tratamento depende da causa e da intensidade da apneia. Algumas pessoas melhoram com mudanças na rotina, enquanto outras precisam de aparelhos intraorais, cirurgia, CPAP (sigla em inglês para Continuous Positive Airway Pressure, ou Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas) ou acompanhamento com outros profissionais. 

Entenda melhor:

  • Mudanças no estilo de vida: atividades físicas, redução do consumo de álcool, parar de fumar e, em alguns casos, evitar dormir de barriga para cima são algumas das orientações aqui. Essas mudanças ajudam, mas não substituem outros cuidados quando a apneia exige tratamento específico;
  • CPAP: é um aparelho conectado a uma máscara usada durante o sono. Ele envia ar sob uma pressão leve e contínua para impedir que a via respiratória feche enquanto a pessoa dorme. Lembrando que o CPAP não é simplesmente uma máquina que “dá oxigênio”, já que o principal trabalho dele é manter o caminho do ar aberto.
  • Aparelhos intraorais: ficam dentro da boca durante o sono e normalmente ajudam a manter a mandíbula e a língua em uma posição que deixa mais espaço para a passagem do ar. São indicados em determinados casos de ronco e apneia e precisam ser planejados e acompanhados por um dentista com formação nessa área;
  • Cirurgias: tendem a ser indicadas quando existe uma alteração física importante que contribui para a obstrução das vias respiratórias. O procedimento varia conforme a localização do problema e, dependendo do caso, envolve estruturas como nariz, amígdalas, adenoide ou palato. Em crianças com adenoide e amígdalas muito aumentadas, por exemplo, a cirurgia é uma das opções de tratamento, conforme avaliação médica;
  • Terapia fonoaudiológica: alguns tratamentos trabalham os músculos da língua, os lábios, a garganta e outras estruturas envolvidas na respiração. Parece meio curioso fazer um “exercício para a boca”, mas a lógica é melhorar funções que ajudam a manter uma respiração mais adequada.

Em alguns casos, essas abordagens são combinadas. Além disso, o tratamento também pode mudar ao longo do tempo, especialmente se houver uma mudança importante de peso, durante o crescimento da criança, após uma cirurgia ou se a pessoa apresentar dificuldade de adaptação ao CPAP, por exemplo.

Quais são os riscos da apneia do sono sem tratamento?

Além de afetar a qualidade do sono, uma apneia sem tratamento afeta a oxigenação do seu organismo. Com o tempo, essas alterações também estão associadas a um risco maior de desenvolver problemas como: 

  • Cansaço e sonolência durante o dia: mesmo depois de muitas horas na cama, a pessoa acorda sem se sentir recuperada;
  • Alterações na memória e na concentração: um sono constantemente interrompido dificulta o descanso necessário para várias funções do cérebro;
  • Maior risco de acidentes: alguém que luta contra o sono ao volante, no trabalho ou enquanto opera equipamentos tem mais chance de sofrer um acidente;
  • Pressão alta: as alterações repetidas na respiração e na oxigenação contribuem para um aumento da pressão e, ainda por cima, dificultar seu controle;
  • Doenças cardiovasculares: a apneia está associada a maior risco de alterações do ritmo do coração, doença coronariana, insuficiência cardíaca e AVC;
  • Impactos na infância: em crianças, a falta de qualidade do sono tende causar dificuldade de atenção, hiperatividade, irritação, prejuízo no desempenho escolar e outros problemas no desenvolvimento.

Importante: como muitos dos sinais principais aparecem quando você está dormindo, vale ouvir os relatos de quem divide a cama ou a casa com você. 

Além disso, se você está sentindo cansaço, dormindo mal e ainda não sabe se o problema é apneia, tudo bem começar por um médico generalista. Como existem várias causas possíveis para esses sintomas, essa primeira conversa já é bastante útil para entender como prosseguir.

Seu sono também merece atenção e cuidado

Talvez você esteja aqui porque alguém reclama do seu ronco. Ou talvez tenha percebido um cansaço insistente na rotina. Talvez tenha notado alguém da sua família ficar alguns segundos sem respirar durante a noite e levado um susto.

Pelo Olá Doutor, é possível começar a investigação desses problemas sem sair de casa. Por aqui, você consegue se consultar com um otorrino tanto na Consulta Agendada quanto na Consulta Imediata, conforme as opções disponíveis no momento.

E se você ainda nem sabe se o ronco vem do nariz, da garganta, do sono ou de outra causa, comece por um médico generalista. Conte o que acontece durante a noite, há quanto tempo começou e como você se sente no dia seguinte. 

É só baixar o app Olá Doutor, escolher entre atendimento imediato ou agendado e começar a conversa.

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